Carreira na ponta do lápis – Entrevista
Djalma de Pinho Rebouças de Oliveira foi professor da FEA-USP e da FGV-SP. Autor de Plano de Carreira: Foco no Indivíduo (Atlas), ele estrutura um modelo básico de implementação de um plano de carreira com abordagem estratégica. Leia a entrevista exclusiva a seguir e mãos à obra!
O senhor escreveu este livro de forma bastante acessível ao leitor e, ao mesmo tempo, suas ideias estão muito bem esquematizadas. Com o livro em mãos, o que o leitor vai precisar fazer para se dar bem na carreira?
Comece fazendo uma pergunta básica, que eu me fazia e acredito que seja uma verdade para a maioria das pessoas: “O que eu quero ser num futuro próximo ou distante?”. Esta pergunta, extremamente abrangente, proporciona várias respostas, mas a quase totalidade delas sem nenhuma sustentação da realidade empresarial. Então, tão importante quanto o conhecimento “do que” cada pessoa quer ser num futuro próximo ou distante é o conhecimento do “como” cada pessoa pode conseguir chegar lá. Como consequência, e sem querer fazer um livro de autoajuda, eu decidi estruturar um modelo básico de desenvolvimento e implementação de um plano de carreira com foco no indivíduo e com forte abordagem estratégica. Ou seja, assim como se pode planejar o futuro das empresas, também é possível fazer a mesma coisa com as pessoas, separando o que é controlável por cada um (conhecimentos, habilidades, vantagem competitiva etc.) e o que não é controlável (mercado, concorrência etc.).
Em seu livro o senhor afirma que, para se dar bem na carreira, é preciso preservar a individualidade com inteligência. Como fazer isso dentro de um esquema de trabalho em equipe, muito valorizado atualmente?
Antes de as pessoas saberem trabalhar em equipes, principalmente as multidisciplinares, é importante que cada um saiba trabalhar consigo próprio, que conheça de forma verdadeira e sustentada os seus pontos fortes e fracos, e como quer e pode evoluir em seus conhecimentos, habilidades e atitudes. Apenas a partir desse momento cada profissional, com humildade e inteligência, saberá trabalhar em equipe, proporcionando e recebendo contribuições para o assunto em debate. Nunca se pode esquecer que a principal, mais rápida e interessante fonte de aprendizagem são os outros (amigos e colegas de trabalho e de estudo), desde que também sejam inteligentes.
O que existe de mais complexo na execução de um plano de carreira?
A prática tem demonstrado que o principal problema é a identificação de uma atividade profissional que, além de atrativa e prazerosa para a pessoa, também tenha uma vida útil longa. Caso contrário, o profissional poderá se tornar especialista em “algo que já não serve para nada”.
O que é mais importante na hora de planejar a carreira?
Esta é uma questão que apresenta realidades específicas para cada um. Mas posso afirmar, pela minha experiência, que o fundamental é as pessoas terem um roteiro básico e o respeitarem. E mais, escrever o plano de carreira elaborado, pois só se pode analisar e aprimorar o que foi antes formalizado em um documento. Eu não acredito em planos de carreira que “estão na cabeça”.
Tem gente que não planeja e se dá muito bem. Por quê?
Essa situação pode ocorrer e não existe nada de errado a respeito. Podem ser herdeiros de empresas com produtos e serviços de sucesso, podem ser pessoas que se “encostaram” em profissionais com fortes e estruturados planos de carreira.
Quanto o amadurecimento emocional de uma pessoa influencia na hora de traçar o plano de carreira e na hora de executá-lo?
O amadurecimento emocional pode ser considerado uma premissa para as adequadas elaboração e, principalmente, operacionalização do plano de carreira de um indivíduo.
Fonte: VOCES/A – Novembro 2009
LIVRO: PLANO DE CARREIRA
Editora: Atlas
Idioma: Português
Número de páginas: 216
Lançamento: 4/3/2009
www.vocesa.com.br

















































